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Sexta-feira, 03.03.06


Pois...respirei fundo e coloquei as mãos no teclado. É a primeira vez que faço isto este ano, e confesso que não fiz um plano de texto. Vou simplesmente escrever ao sabor da vontade e aproveitar o embalar dos meus pensamentos para te falar de mim... Sinto-me como se estivesse morta, é verdade! Embora as minhas mãos geladas me façam ter a sensibilidade e perceber que ainda não estão inactivas, sinto a inércia e a nulidade de sentimentos e sensações...
Não me interesso muito acerca do que pensam de mim, embora possa arriscar ser mal interpretada, não pretendo defender-me contra as acusações que alguma vez me fizerem. Acho que por vezes vou querendo um pouco de dinamismo na minha estéril existência..
Vivo muito ligada ao passado, sem dúvida e quando dele me tento soltar estou a perder completamente o presente. Sempre fui assim...Desde sempre lutei para alcançar tudo o que queria e muitas vezes sem ouvir a opinião dos outros. Lutei pelo curso, pela minha adolescência normal, pela minha realização profissional...e fui lutando dia após dia porque acreditava que o amor existia. Não te choca certamente se te disser que só me apaixonei realmente duas vezes um toda a minha vida...e a verdade é que me entreguei a esse amor de corpo e alma. A primeira vez foi mais marcante ainda. Sofri a desilusão e a ilusão da reconciliação...foi a pessoa com quem eu cresci. Namorei 6 anos com ele e achava que o amor teria de ser para toda a vida . Agora vejo que a idade é própria para o amadurecimento nesse sentido...mas a culpa é dos livros de histórias com os quais me deliciei em toda a minha infância.
Quando me apaixonei a segunda vez, já com 21 anos, tinha a certeza de que esse amor seria a minha felicidade...e deu-me os meus dois lindos filhotes...está aí a felicidade!
A verdade é que me entrego totalmente às coisas que me apaixonam verdadeiramente...e, quando no silêncio tenho oportunidade para reflectir, apercebo-me de que continuo a mesma ingénua de sempre agarrada às histórias de infância.
Custa admitir essa situação...Custa-me imenso perceber que a vida é bem mais complicada que as narrativas que escrevo ou os romances que leio! O amor está na minha entrega total e incondicional aos meus filhos...e tenho segurança de que nunca o irei encontrar novamente ou, se isso acontecer, fecharei os olhos para me defender...
No momento choro...é verdade!!! Há dias em que me sinto mais alegre e optimista...mas, neste momento, tenho a lembrança das coisas muito queridas e importantes que fazem parte do passado da vida...as lembranças de uma infância feliz e de adolescência normal...e o meu presente é este: o pedaço de céu que me protegia desabou completamente na minha cabeça...e nos escombros não tenho vontade de me levantar...não tenho forças para enfrentar o desmoronar de muitos anos construídos na ilusão de uma aparente felicidade!
Sinto ódio por ter sido tão ingénua, por viver naquele mundo tão aparte, construído de sonhos e idealizações. Desta minha existência e empenho de dez anos, consigo vislumbrar dois coisas...uma delas que corresponde ao auge da felicidadee de todos os meus medos: os meus filhos; a outra ao meu desespero eterno : a desilusão..
A verdade é aquela que nunca te escondi. È mais fácil sermos nós próprios quando não conhecemos propriamente quem se apodera disso, que sermos fiéis aos nossos amigos de longa data e mostrarmos a nossa fragilidade...
Sofri nestes últimos ano, aquelas experiências que nos fazem mais fortes: conheci a sensação de ser traída e humilhada, o ódio por alguém que amei tal como à minha própria vida, conheci a pressão do dia a dia sozinha com dois filhos para fazer crescer de forma saudável, ouvi as mentiras e as justificações infundadas, encarei a falsidade, enfrentei a responsabilidade, curei as doenças, (felizmente pouco graves) dos meus filhos, passei noites em claro a digerir a solidão, a horrível insegurança, a falta de confiança em mim e nos outros, fui usada e usei, tive o orgulho exagerado em não pedir apoio a ninguém, fiz tentativas para mascarar a cruel realidade, e quantas vezes sorri, com vontade de chorar!(?)...Senti vontade de morrer!
Agora que me devia identificar com uma mulher de armas, percebo que gastei as minhas forças....Sinto que mereço ser feliz e se essa felicidade não vem ter comigo livremente, terei de lhe abrir uma porta! Tu não serás essa porta, mas sim a janela por onde tentei apanhar algum ar fresco e a verdade é que estou aqui, neste momento, a escrever para ti! Há coincidências que por vezes nos fazem pensar!!!
Já percebeste então que eu não sei muito bem o que quero, não por imaturidade, mas por medo e insegurança! Sim, a terrível marca de um divórcio! Sei, no entanto, aquilo que não quero!
Queria respirar livremente, ter estabilidade, viver pacificamente com os meus filhos e partilhar um pouco os momentos de solidão com alguém com honestidade e disponibilidade para me fazer sentir bem...e a quem eu tivesse vontade de fazer sentir!
Agora que sabes tanto de mim, espero que me vejas como alguém equilibrado que tem por vezes os seus momentos de fraqueza!
Esta escrita foi dedicada a um tu com toda a sua exclusividade...deixa-me dizer-te que o faço sempre na escrita como terapia...mas desta vez terá um destinatário atento e crítico! Fico à espera...de ti!

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publicado por ML às 12:27


7 comentários

De Anónimo a 13.03.2006 às 09:25

Quando se fecha uma porta, outra janela se abre... Não deixes de acreditar no Amor, ainda há pessoas que valem a pena... Um beijinho.Essa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)

De Anónimo a 08.03.2006 às 01:31

Quem desabafa as suas magoas, tristezas ou pressoes, snte-se mais leve, e com uma nova força para continuar...Nao te julgues... sentires-te insegura, impotente ( a certas situações), confusa, nao faz de ti uma pessoa imatura...tenho a certeza k ja passaste por muitas situações k te fizeram crescer (tal cm descreves no post), e nao fazem de ti imatura, pl contrario...fazem-te uma mulher "vivida", desapontada com a vida, talvez com as pessoas...mas teras de ser forte para k os teus filhos nao se apercebam e cresçam num mundo de fantasia k tu cresceste, k eu cresci, k tds nos crescemos...pk lemos romances, vimos filmes de amor...pk kisemos a fantasia...Isso e saudavel, natural da infancia e adolescencia...e depois apercebemo-nos k o mundo, a vida, nao é assim..mas isso é o processo de crescimento e maturidades pk tds passamos...Mrs.Sensuality
(http://saborsensual.blogs.sapo.pt)
(mailto:ligiamnrc@sapo.pt)

De Anónimo a 05.03.2006 às 10:47

Sonhei o teu corpo

Como o pintor

Sonha a sua tela:

De formas doces

Ternamente delineadas

A necessitarem de amor.



Descobri o teu pensamento

Na minha boca

E senti que ela ficou louca

Por te beber.
Carlos
(http://vagueando.blogs.sapo.pt/)
(mailto:c_m_a_n_u_e_l@hotmail.com)

De Anónimo a 03.03.2006 às 12:47

A vida é feita de altos e baixos, de amores e desamores. É preciso nunca fechar a porta a novas oportunidades. Ter tido experiências que acabaram não quer dizer que não aconteçam outras ou a que se deseja para sempre...Louco por ti
(http://loucoporti.blogs.sapo.pt)
(mailto:jmartinsdocabo@sapo.pt)

De Anónimo a 03.03.2006 às 12:34

Aqui está um post cheio de sentimentos de emoções ... Por vezes precisamos de deitar tudo o que sentimos , tudo o que pensamos cá para fora para nos fazermos entender, para que nos conheçam melhor. Espero que a pessoa a quem dedicas este post , saiba interpretar cada uma das tuas palavras :) . Beijitos.Secreta
(http://secreta.blogs.sapo.pt)
(mailto:a_a_c@sapo.pt)

De Anónimo a 03.03.2006 às 12:33

palavras que choram
são lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
são sentimentos que do coração saem.
é dor que sai do nosso coração
é paz que alivia a nossa alma
é o fim de um furacão
e o começar da calma.
é sossego que invade o nosso ser
é vazio que se sente no peito
são lágrimas pelo rosto a escorrer
por algum mal que nos foi feito.
lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
e que quando do coração saem
são palavras que choram.
Sonhador Joao
(http://Sonahdor Joao)
(mailto:jcgil@anam.pt)

De Horus Place a 13.04.2006 às 10:59

Ola ML. Obrigado pela passagem pelo meu cantinho e pelo comentário que me deixaste.Depois de ler vários posts teus os meus dedos fervilharam ao ler este. Fiquei acelerado do coraçao por sentir o sentimento, a profundidade das tuas palavras. Não mereces sofrer certamente, quem escreve assim não o faz sem sentimentos, sem emoções. Por isso espero que a porta se te abra mesmo que não sejas tu a abri-la, e que por entre ela, entre o teu anjo de luz, o teu princepe. Sim porque ele anda ai, não temas, não desesperes, muito menos não te feches na solidão e na tristeza das lembranças dos momentos maus pelos quais passaste. A vida é como o estado do tempo, ora chuvosa e desagradavel, ora linda e cheirosa como um dia de primavera. Adorei o teu espaço, virei mais vezes e vou levar o teu link, ok? Beijos e uma Páscoa feliz junto dos teus e que a paz e o amor entrem na tua vida e te façam.... feliz.

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    ups era aqui:)o amanhã surge sempre...:)beijo vaga...

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    o amanhã surge sempre...beijo vagabundo

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